Má oê! Esse blog virou uma bagunça!
Fala de reflexologia, PM na USP, Yoga, cachorro! Pensei em apagar alguns posts antigos, pra deixar o blog mais coerente, com um tema específico, mas percebi que os textos refletem minha jornada nos últimos tempos.
E o que tem acontecido comigo nos últimos tempos é que ando mais “faladeira”, até brinquei com minha analista, dizendo que havia tomado a pílula da verdade (a minha verdade, não a verdade absoluta), porque não ando conseguindo ficar calada quando se tratam de minhas convicções. O ponto negativo disso tudo? O preconceito. O positivo? Descobrir pessoas parecidas com você, que você nem imaginava que pensavam desta forma.
O último episódio de minha indignação foi a questão da USP e ser rotulada por vagabunda, filhinha de papai e por aí vai… Mas essa é uma questão já resolvida e que não irei gastar mais nenhum minuto de meu tempo discutindo com os “mini-Alckmins”.
O assunto que me traz aqui hoje é um desabafo, daqueles que geram polêmica e, por isso, nunca havia tido a coragem nem a paciência de verbalizar em público, porque eu tenho uma certa preguiça dos moralistas e dos “estereotipeiros” (acabei de inventar essa palavra) de plantão.
Mas, aí vai: Eu não acredito em Deus. Nem um pouquinho, nem de longe. Ufa! O que me fez demorar em admitir essa questão é o discurso, geeente, que chaaaato: “Você deve ser muito amarga mesmo.” “Mas você não conheceu Deus de verdade.” “Quando passar por uma dificuldade de verdade, vai sair rezando pra Deus.” Mentira. Esse ano meu pai teve câncer e eu nem cogitei a ideia. Não acredito que alguma imagem psicótica vá poder curar o meu pai, que não sua vontade de ficar bem e a competência dos médicos que estão cuidando dele. Os mais ácidos ainda dirão: “Mas isso é castigo” (ui, que medo).
“Mas você não acredita nem um pouquinho?” Não, não sei nem a diferença entre Deus, Jesus e Maria – que, diga-se de passagem, foi uma invenção da Igreja Católica pra atrair mulheres, depois de serem demonizadas por terem comido a maçã. Acho que Deus é uma invenção da sociedade para que as pessoas lidem de uma forma mais fácil com questões sem explicações aparentes, com suas responsabilidades – nada melhor do que culpar Deus ou o demo por alguma coisa errada que aconteceu com a gente: “Deus quis assim.” Isso tudo é culpa do coisa-ruim.” Além de tudo, nada como poder controlar massas através do medo, do castigo, do inferno, da ira de Deus.
Comi a maçã! Serei condenada eternamente a sei-lá-o-quê, mas…
Eu não tenho medo de castigos eternos, nem de grandes salvações, e sou feliz assim. Não quero “converter” ninguém ao ateísmo, mas também peço respeito à minha não-crença. Ao contrário do que muitos pensam, sou tremendamente feliz, e já conquistei lá uma meia dúzia de coisas (rs), tenho uma família feliz, um lar com valores, sou ética, e respeito muito mais do que muita gente que se julga cristã e fica compartilhando discursos preconceituosos e raivosos, seja pra quem não acredita no seu deus, seja pra quem torce pro time diferente, seja pra quem tem determinada opção sexual.
E, cá entre nós, eu adoro uma maçãzinha! (rsrs)
Como tenho gostado de fazer, segue uma lista de links relacionados ao tema, pra quem quer se informar um pouco mais sobre o assunto:
http://sociedaderacionalista.org/2011/11/19/ser-ateu-e-bom/
http://veja.abril.com.br/blog/cenas-urbanas/cenas/contem-comigo/

Acho que acreditar em deus ou deuses tira um pouco (ou totalmente) a responsabilidade por nossas vidas de cima de nossas próprias costas. Sim, você é o único responsável pelo que te acontece, não tinha sacado ainda? Eu prefiro acreditar na minha deidade humana. Enquanto homem, ser humano, posso fazer coisas divinas (e infernais também) e isso é tudo por minha conta. A responsabilidade é grande, mas o retorno é maior ainda.